O que é concordância
A concordância é um conceito fundamental na gramática da língua portuguesa, referindo-se à relação de harmonia entre os elementos de uma oração. Essa relação é estabelecida principalmente entre o sujeito e o verbo, além de envolver também os adjetivos e os substantivos. A concordância é essencial para a clareza e a precisão na comunicação, pois garante que a mensagem seja transmitida de forma correta e compreensível. No contexto jurídico, a concordância assume um papel ainda mais relevante, uma vez que a interpretação das normas e a redação de documentos legais exigem um rigor gramatical que pode influenciar diretamente a validade e a eficácia dos atos jurídicos.
Existem diferentes tipos de concordância que podem ser observados na língua portuguesa, sendo os mais comuns a concordância verbal e a concordância nominal. A concordância verbal diz respeito à relação entre o sujeito e o verbo, onde o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito da oração. Por exemplo, na frase “Os advogados atuam no caso”, o verbo “atuam” está no plural, concordando com o sujeito “os advogados”. Por outro lado, a concordância nominal refere-se à relação entre substantivos e seus modificadores, como adjetivos e artigos. Um exemplo seria “A advogada competente”, onde o adjetivo “competente” concorda em gênero e número com o substantivo “advogada”. Essa precisão é crucial em documentos legais, onde qualquer erro pode levar a interpretações equivocadas.
A concordância também pode ser afetada por questões de regência e colocação pronominal, que são aspectos importantes na construção de frases corretas. A regência diz respeito à relação entre verbos e seus complementos, enquanto a colocação pronominal refere-se à posição dos pronomes em relação aos verbos. Por exemplo, na frase “O advogado lhe entregou o documento”, a colocação do pronome “lhe” antes do verbo é uma escolha que pode variar dependendo do estilo e da formalidade do texto. Em documentos jurídicos, a escolha correta da regência e da colocação pronominal é vital para evitar ambiguidades e garantir que a intenção do autor seja claramente compreendida.
Além disso, a concordância pode ser influenciada por expressões idiomáticas e locuções que são frequentemente utilizadas no meio jurídico. Por exemplo, a expressão “mais de um advogado” exige que o verbo concorde no singular, resultando em “mais de um advogado atuou”. Essa particularidade é um ponto que deve ser observado com atenção por advogados e profissionais da área, pois a utilização inadequada da concordância pode comprometer a credibilidade do texto e a interpretação do conteúdo. Assim, a prática constante e o estudo das regras de concordância são essenciais para a formação de um profissional do direito competente e respeitado.
Em contextos formais, como em audiências e julgamentos, a concordância correta não apenas demonstra domínio da língua, mas também reflete a seriedade e o profissionalismo do advogado. A forma como um advogado se expressa pode influenciar a percepção do juiz e das partes envolvidas, tornando a concordância um aspecto que vai além da gramática e adentra o campo da retórica e da persuasão. Portanto, é fundamental que os advogados estejam atentos a esses detalhes, pois a comunicação eficaz é uma ferramenta poderosa na prática do direito.
Outro ponto a ser considerado é a concordância em textos escritos, onde a revisão gramatical se torna uma etapa crucial antes da finalização de qualquer documento. A leitura atenta e a utilização de ferramentas de correção gramatical podem ajudar a identificar erros de concordância que, se não corrigidos, podem levar a mal-entendidos ou até mesmo a nulidades em atos jurídicos. Por isso, a revisão deve ser uma prática habitual para todos os profissionais da área, garantindo que a comunicação escrita esteja sempre em conformidade com as normas gramaticais.
Além das regras tradicionais de concordância, é importante também considerar as variações linguísticas e as mudanças que ocorrem na língua ao longo do tempo. A língua portuguesa é dinâmica e, com o passar dos anos, novas formas de expressão e construção frasal podem surgir. No entanto, em contextos jurídicos, é aconselhável que os profissionais mantenham-se fiéis às normas gramaticais estabelecidas, evitando inovações que possam comprometer a clareza e a formalidade dos textos legais.
Por fim, a importância da concordância no campo jurídico não pode ser subestimada. A forma como as ideias são organizadas e apresentadas em um documento legal pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma argumentação. Portanto, advogados e profissionais do direito devem sempre se esforçar para dominar as regras de concordância, garantindo que suas comunicações sejam não apenas corretas, mas também persuasivas e eficazes. A atenção aos detalhes gramaticais é um reflexo do cuidado e da responsabilidade que um advogado deve ter em sua prática profissional.


